segunda-feira, 20 de maio de 2013

Nova temporada, uma nova defesa?


Será ele o elo que faltava para termos uma defesa Top 5? Leiam e entendam o papel dele nesse processo...

Nosso time fez um barulho e tanto neste off-season, na sua reconstrução do time. Jeff Ireland fez movimentos ousados, trocou experiência por juventude, pagando menos por isso. No não foi diferente, tendo feito – possivelmente – o negócio do Draft, ao subir nove posições e escolhendo o jogador de Oregon, Dion Jordan. Considerado por muitos como o melhor pass-rush do Draft, Jordan foi o jogador que Jeff Ireland disse que não iria perder. E ele cumpriu a promessa no Draft.

Mas como essas novas peças entrarão em campo durante o ano? Qual é a ideia por trás dessas ações de Ireland? Como Kevin Coyle irá usar tantos novatos em um sistema híbrido? São perguntas que todos queremos saber as respostas...

Miami mudou para o sistema 3-4 em 2008, após sempre ter usado o 4-3. Acontece que faltaram peças e o sistema ficou pelo caminho. Em 2012voltamos a jogar no 4-3. Acontece que Dion Jordan tem mais “cara” de um OLB em 3-4 do que um DE de 4-e, devido ao seu tamanho. Ele é alto, mas leve demais para ser um DE no 4-3 e quando você olha para ele, ele não parece ser grande o suficiente para isso. Sendo assim ele já deveria ter entrado na sala de musculação e adicionado peso e massa muscular. Mas ele fez uma cirurgia no ombro e só poderá começar este trabalho 4 meses depois do que deveria ter feito. Além disso, existe um outro problema: quanto de massa e peso ele poderá ganhar sem perder sua velocidade, acima do normal? Da resolução desta equação, dependerá o quão longe ele irá na carreira.

Eu, assim como muitos analistas, pensei que a escolha de Jordan poderia sinalizar que o time voltaria para o 3-4, ficando ele e Wake como OLBs e Odrick e Starks como DE. No entanto, isso me fez pensar sobre como a defesa de Miami pode ser nesta temporada e nas demais. Então eu pensei que eu iria dar uma olhada na possibilidade de Miami voltar para o 3-4. Quanto mais eu pensava sobre isso, mais a idéia de usar uma defesa híbrida, com várias opções fazia cada vez mais sentido.

Pra começo de conversa, não mais do que 3 equipes usam apenas um dos esquema sempre, em todos os snaps. A maioria das equipes usa sistemas híbridos onde a defesa molda-se ao ataque adversário ao longo do jogo. Nesta temporada eu acho que Miami pode estar usando um sistema híbrido, a fim de maximizar o talento do front seven, incluindo Jordan no campo. Afinal seria um desperdício absurdo de pick, draftar um jogador na pick 3 geral, e deixa-lo para entrar em campo no máximo umas 10 vezes por jogo. Isso é surreal. Nós temos como mudar de snap para snap e dentro da mesma jogada, a depender do que o capitão ( Wake ) ler do ataque.

Jogando no 3-4

O Dolphins ainda têm remanescentes do sistema 3-4: Randy Starks, Paul Soliai e Jared Odrick têm a experiência e talento para formar uma linha defensiva devastador no 3-4. Soliai pode desempenhar o 1-tech muito bem. Soliai é melhor quando ele pode pegar uma brecha e avançar ( este é também é o que faz dele um eficaz jogador de 4-3). Starks e Odrick são ideais 5-techs contra o jogo corrido, mas podem gerar pressão nos QBs a partir das extremidades do sistema 3-4. A questão para o sistema render é a profundidade do elenco. Miami assinou  Vaughn Martin, que tem experiência como DE 3-4. Kheeston Randall poderia jogar tanto no nariz ou no final, mas é inexperiente e não se sabe se ele seria eficaz no 3-4. Mas, para os iniciantes, Miami está em boa forma.

Os linebackers são um grupo bastante sólido. Os Outside Linebackers seriam Cameron Wake, Olivier Vernon, e, claro, Dion Jordan. Os Inside Linebackers provavelmente seriam as novas adições: Philip Wheeler e Dannell Ellerbe. Koa Misi e o estreante Jelani Jenkins seriam a profundidade na posição, com Misi sendo o versátil linebacker que pode jogar OLB ou ILB. Jenkins poderia facilmente atuar como ILB, mas poderia ser usado em algumas situações de cobertura. Austin Spitler ficaria como depth tanto para OLB ou ILB.

Jogando no 4-3

Já estamos familiarizados com este esquema, uma vez que jogamos nele na última temporada 4-3. Na linha defensiva, Cameron Wake é o DE esquerdo. Paul Soliai faz o 1-tech e Randy Starks o 3-tech. Jared Odrick, Olivier Vernon e Dion Jordan fariam a disputa pelo o posto de DE direito. Agora Odrick está em vantagem, com Vernon em segundo lugar. Se Jordan conseguir ganhar massa muscular sem perder velocidade, ele estará na luta para ser Starter.

Entre os Linebackers, Phillip Wheeler e Jelani Jenkins seriam os outsides. Dannell Ellerbe deve ser o Midle Linebacker. Já Koa Misi poderia revezar-se entre as duas situações.

Situações

Quando eu olho para a tabela de jogos do Dolphins, o primeiro jogo faria todo o sentido usarmos o 3-4. O Browns vai tentar desde o começo estabelecer o jogo corrido com Trent Richardson. O Miami pode usar mais 3-4, a fim de parar Richardson e isolar os pass-rushers, deixando-os mais liberados para atacar o QB adversário. O Browns tem o melhor Left Tackle em Joe Thomas. Apesar de nossas esperanças com Dion Jordan, ele não vai ganhar muitos snaps nesta primeira partida, ainda mais diante do melhor Tackle da NFL. Usando mais a 3-4 daremos poderíamos dar uma chance extra a Vernon e Jordan porque Odrick ou Starks criariam oportunidades para eles (muito parecido com Justin Smith faz para Aldon Smith em San Francisco). Soliai iria comandar a equipe pelo meio, Odrick e Starks poderiam forçar a equipe nas extremidades, deixando os rushers com espaços para “atingir” Brandon Weeden.

O jogo seguinte é contra o Colts e todos sabemos bem quem é o QB deles, portanto eles não irão correr com a bola e sim, obviamente passa-la. Dado que a linha ofensiva de Indy é uma preocupação menor do que a do Browns, o esquema 4-3, provavelmente, seria o melhor. Os Defensive Tackles podem gerar pressão suficiente, deixando mais fácil o trabalho de Wake e companhia. Jordan não estará enfrentando um tackle de elite e poderia conseguir passar pelos OLs do Colts, assim como Vernon. Uma constante no sistema 4-3 faria mais sentido nesse jogo.

A criatividade

O Atlanta Falcons é um time difícil de defender a partir de uma perspectiva de talento, sendo assim um híbrido renderia – em tese - melhor. O Patriots por outro lado, tem complicações especificas, pois usa TEs para fazerem rotas que em outros times caberiam a WRs. E eles tem um tal de Tom Brady.. Suas táticas ofensivas não convencionais torná-los difíceis de obter um bloqueio em defensivamente. É jogos contra equipes como essa, onde os coordenadores defensivos quer usar vários esquemas para supreender. Kevin Coyle, com a adição de alguns linebackers atléticos, tem agora a necessária versatilidade que ele pode usar contra o Patriots. Ele pode ser escalar três, quatro ou mesmo cinco homens na DL, dependendo do set ofensivo. Ele pode usar uma DL com Wake, Starks, Odrick, Vernon e Jordan, se quiser gerar pressão ou ter Jordan na cobertura contra os tight ends. Ele pode misturar e combinar os linebackers para maximizar a cobertura e esquemas blitzing. Ele pode usar um 3-4 em um jogo e mudar para um 4-3 na próxima. Ele pode usar várias formações para tirar o conforto de Brady, obrigando-o a fazer algo que não esteja acostumado, sair do pocket. Sem falar que ao poder usar diversos sistemas usando diversos jogadores, o coordenador de ataque terá também que sair da sua zona de conforto, dificultando pois o seu trabalho. Imaginem como ficaria um Técnico de Futebol sem saber se o time rival vai atuar com 3, 4 ou 5 zagueiros/atacantes. Isso causa imprevisibilidade, algo que – acreditem – vence partidas.

Considerações Finais

A escolha de Dion Jordan começa a fazer sentido na medida em que tanto Coyle quanto Philbin falam em usar um sistema híbrido entre 3-4 e o 4-3. Sendo assim, ele trouxe a defesa uma versatilidade a mais, embora o setor já fosse versátil. Mas agora temos um jogador que poderá atuar tanto como DE ( 4-3 ) ou OLB ( 3-4 ). Em vez de executar um rigoroso 4-3, o Dolphins podem misturar e combinar diversas formações e táticas frentes para ganhar uma vantagem. Miami pode maximizar o potencial do novato por usá-lo em uma variedade de formas onde a linha ofensiva não pode bloqueá-lo diretamente. O Miami parece ter o pessoal para, finalmente, tornar-se mais criativo e mais perturbador na defesa. Usando um esquema híbrido, a decisão de mover-se para cima no Draft e escolher Jordan assume uma luz diferente. Os fãs podem esperar os resultados dessa mudança, que pode não apenas calar os críticos, mas calar os ataques adversários também.

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